Qual o melhor exercício para lipedema: água, caminhada ou musculação?
Por Dra. Camila Ayer — Médica de Família e Comunidade
CRM-SP 130787 | MFC RQE 153900
Data editorial: 09/10/2026
Não existe evidência suficiente para afirmar que uma modalidade é a melhor para todas as pessoas com lipedema. Exercícios na água, fortalecimento e atividades aeróbicas podem fazer parte do cuidado. A escolha precisa considerar dor, mobilidade, capacidade física, preferências e possibilidades reais.
“Preciso fazer hidroginástica?” “Posso fazer musculação?” “E se caminhar dói?” Essas perguntas ajudam a construir um plano mais útil do que procurar um treino que prometa resolver tudo.
O que os estudos mostram sobre exercício e lipedema?
Uma revisão sistemática reuniu seis estudos, com 115 mulheres. Os resultados sugerem benefícios para sintomas, qualidade de vida e desempenho funcional. Mas os estudos eram pequenos e utilizaram programas diferentes, o que limita a certeza das conclusões.[1]
Isso sustenta incluir exercício no cuidado, sem transformar uma modalidade em regra universal ou prometer um resultado específico. Também não permite definir uma dose de treino ideal para todas.
Exercícios na água: uma opção para facilitar o movimento
Natação, hidroginástica e caminhada na água podem facilitar o movimento com menor sobrecarga nas articulações. São alternativas quando atividades em terra causam desconforto. O consenso italiano sobre exercício no lipedema inclui atividades aquáticas entre as opções de cuidado.[2]
Mas acesso, custo e preferência importam. Se você não gosta de piscina ou não consegue frequentá-la, isso precisa entrar na escolha do plano.
Quem tem lipedema pode fazer musculação?
O fortalecimento pode fazer parte do tratamento. Exercícios com resistência buscam desenvolver força e capacidade física, com carga, amplitude e progressão adaptadas.[2]
Não é preciso começar com treino intenso. Na prática, a orientação deve considerar quais movimentos você consegue realizar e como se sente durante e após a sessão. A dificuldade para subir escadas ou levantar de uma cadeira, por exemplo, é uma informação útil para conversar com quem acompanha seu treino.
Caminhada e bicicleta também entram?
Atividades de menor impacto, adaptadas à capacidade individual, fazem parte das recomendações do consenso brasileiro.[3] Caminhada e bicicleta podem ser possibilidades, conforme sua tolerância.
Se caminhar aumenta muito o desconforto, vale reavaliar duração, ritmo, terreno e modalidade com orientação. Insistir no mesmo plano, apesar de limitações importantes, não precisa ser a única opção.
Como escolher o exercício na prática?
Antes de decidir a modalidade, leve estas perguntas para a avaliação:
- Quais atividades consigo fazer hoje?
- O que aumenta meu desconforto?
- Como fico depois do exercício?
- Que atividade cabe no meu tempo e no meu orçamento?
- Qual tarefa do dia a dia gostaria de realizar com mais facilidade?
As respostas ajudam a definir um ponto de partida e o que será acompanhado. O plano precisa permitir ajustes, em vez de exigir que você se adapte a um treino pronto.
O exercício elimina o lipedema?
Os estudos disponíveis não sustentam prometer que exercício elimine o lipedema. Os objetivos incluem melhora dos sintomas, da função e da qualidade de vida.[1]
Por isso, avaliar apenas a aparência das pernas pode deixar de fora mudanças relevantes. Caminhar com mais conforto ou ter menos dificuldade nas tarefas diárias são exemplos de resultados que merecem ser discutidos no acompanhamento.
Como o Método 5P entra nesse cuidado?
No meu acompanhamento, os Passos consideram dor, mobilidade e rotina. Eles se conectam ao Prato, à Pausa, ao Perfil Metabólico e à Prescrição, conforme as necessidades de cada pessoa.
O objetivo é organizar prioridades e acompanhar a resposta ao plano, articulando o cuidado com outros profissionais quando necessário. Isso não substitui a avaliação específica do lipedema nem a orientação do exercício.
Atendo presencialmente em Campinas e on-line para todo o Brasil. Para conhecer meu acompanhamento, acesse www.dracamilaayer.com.br.
Perguntas frequentes
Preciso fazer exercício na piscina?
Não. É uma opção a ser considerada conforme sintomas, preferência e acesso.[2]
Posso combinar musculação com outra atividade?
Um plano pode incluir fortalecimento e atividade aeróbica, com adaptação individual.[2,3]
Existe um treino único para lipedema?
Não há evidência suficiente para recomendar o mesmo programa a todas as pessoas.[1]
Referências
- Lanzi S et al. Exercise training in women with lipedema — A systematic review. Vasa. 2026;55(5):322–333. Publicação on-line em 2025. DOI: 10.1024/0301-1526/a001250. PubMed.
- Annunziata G et al. The Role of Physical Exercise as a Therapeutic Tool to Improve Lipedema: A Consensus Statement from SISMeS and SIF. Current Obesity Reports. 2024;13:667–679. DOI: 10.1007/s13679-024-00579-8. Texto completo.
- Amato ACM et al. Brazilian Consensus Statement on Lipedema using the Delphi methodology. Jornal Vascular Brasileiro. 2025;24:e20230183. DOI: 10.1590/1677-5449.202301832. Texto completo.