Você começou o tratamento da obesidade, saiu da consulta com um planejamento e, algumas semanas depois, percebeu que não conseguiu colocar tudo em prática.

Talvez sua rotina tenha mudado, sua fome tenha aumentado, o sono tenha piorado ou você tenha apresentado efeitos adversos ao medicamento.

E agora? Precisa começar tudo de novo?

Não necessariamente. O retorno médico é justamente o momento de avaliar o que aconteceu, identificar o que funcionou e ajustar as estratégias para continuar o tratamento.

No meu acompanhamento, utilizo o Método 5P e atualizo o Projeto Terapêutico Singular (PTS) a cada encontro, considerando sua evolução, suas dificuldades e suas necessidades.

Por que é tão difícil seguir o tratamento da obesidade?

A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial.

O tratamento pode envolver mudanças na alimentação, atividade física, sono, manejo do estresse e medicamentos, quando indicados.

Entretanto, nenhuma dessas estratégias acontece de maneira isolada.

Mudanças na rotina, condições clínicas, sintomas, padrões de fome e saciedade, dificuldades financeiras e fatores ambientais podem interferir na continuidade do tratamento.

Além disso, as respostas individuais variam. Uma estratégia que funciona bem para determinada pessoa pode não ser adequada para outra.

Por isso, quando uma paciente apresenta dificuldades, não parto automaticamente da hipótese de falta de disciplina.

O primeiro passo é compreender o que aconteceu.

O que eu avalio durante o retorno?

A consulta de retorno não serve apenas para verificar quantos quilos você perdeu.

É uma oportunidade para revisar a resposta ao tratamento, investigar dificuldades e reconhecer os avanços alcançados.

1. O que dificultou o tratamento?

Quero entender quais obstáculos apareceram desde o último encontro.

Por exemplo:

  • Sua fome aumentou?

  • A rotina mudou?

  • Você apresentou algum efeito adverso ao medicamento?

  • O sono piorou?

  • A atividade física ficou difícil?

  • Surgiram sintomas ou problemas de saúde?

Essas informações ajudam a identificar quais estratégias precisam ser revistas.

Se um medicamento está causando desconforto importante, por exemplo, pode ser necessário reavaliar a prescrição.

Se a alimentação planejada não está funcionando, precisamos compreender por quê e identificar alternativas possíveis.

Repetir indefinidamente uma orientação que não está funcionando não resolve o problema.

2. O que funcionou?

Essa pergunta é tão importante quanto investigar as dificuldades.

Talvez você não tenha conseguido cumprir todas as mudanças planejadas, mas passou a consumir proteína regularmente no café da manhã.

Ou conseguiu aumentar sua atividade física, melhorar o sono ou organizar uma parte da alimentação.

Esses avanços merecem ser reconhecidos e incorporados ao planejamento.

Nem tudo precisa ser descartado porque uma parte do tratamento não aconteceu como esperado.

Identificar o que já funciona permite construir estratégias mais viáveis para as próximas etapas.

3. Como está sua resposta clínica?

Durante o retorno, também avalio os resultados do tratamento.

Dependendo das necessidades de cada paciente, isso pode incluir:

  • Evolução do peso e da circunferência abdominal.

  • Pressão arterial.

  • Fome e saciedade.

  • Sintomas e efeitos adversos.

  • Resultados de exames, quando indicados.

  • Condições metabólicas e cardiovasculares.

  • Força muscular e capacidade funcional.

  • Sono, disposição e qualidade de vida.

O peso é importante, mas não é o único indicador de evolução.

Como o Método 5P ajuda a ajustar o tratamento?

O Método 5P organiza o tratamento da obesidade em cinco pilares: Prato, Passos, Pausa, Perfil Metabólico e Prescrição.

Nos retornos, reviso os pilares relevantes para cada paciente, considerando os resultados, as dificuldades e as prioridades daquele momento.

Prato: a estratégia alimentar está funcionando?

Avalio fome, saciedade, horários, preferências alimentares e dificuldades para manter as mudanças propostas.

Também considero as necessidades nutricionais, especialmente quando existe redução importante do apetite durante o uso de medicamentos para obesidade.

O objetivo é identificar estratégias alimentares viáveis, sem restrições desnecessárias.

Passos: como está sua atividade física?

Investigo quais atividades foram possíveis, quais dificuldades apareceram e como está sua capacidade funcional.

O treinamento de força merece atenção, especialmente durante o emagrecimento, para ajudar a preservar a massa muscular.

Se a rotina mudou, pode ser necessário adaptar a estratégia de movimento.

Pausa: como estão o sono e a recuperação?

O sono, o estresse e a saúde emocional podem interferir no tratamento.

Por isso, também avalio a qualidade do sono, o cansaço e os fatores que dificultam a recuperação.

Quando necessário, esses aspectos passam a ser prioridades do planejamento terapêutico.

Perfil Metabólico: houve alguma mudança na saúde?

Reavalio condições clínicas, sintomas, fatores de risco cardiovascular, medicamentos em uso e exames indicados.

As prioridades podem mudar ao longo do acompanhamento.

Uma paciente pode precisar de atenção especial ao controle da pressão arterial, enquanto outra pode necessitar de investigação de alterações glicêmicas ou de novos sintomas.

Prescrição: o medicamento precisa ser ajustado?

Quando existe indicação de tratamento medicamentoso, avalio sua resposta clínica, tolerabilidade, possíveis efeitos adversos e necessidade de ajustes.

Nem sempre é necessário aumentar a dose. A decisão depende da resposta individual, dos benefícios esperados e da segurança do tratamento.

A prescrição deve acompanhar a evolução clínica, não seguir automaticamente um protocolo igual para todas as pessoas.

O que é o PTS e por que ele é atualizado em cada consulta?

PTS significa Projeto Terapêutico Singular.

É o planejamento individualizado que construímos a partir da sua avaliação clínica, considerando suas condições de saúde, seus objetivos, suas preferências e suas possibilidades.

No meu acompanhamento, o PTS utiliza o Método 5P como estrutura para organizar o cuidado.

Ele é atualizado a cada encontro.

Isso significa que revisamos o que foi proposto anteriormente, avaliamos os resultados e definimos quais estratégias devem ser mantidas, modificadas ou acrescentadas.

O planejamento não precisa permanecer igual quando suas necessidades mudam.

E se eu não emagreci desde a última consulta?

A ausência de perda de peso em determinado período não significa, isoladamente, que todo o tratamento falhou.

É necessário analisar o contexto, o tempo de acompanhamento, as intervenções realizadas e os demais resultados clínicos.

Também precisamos investigar dificuldades, possíveis efeitos adversos e condições que possam interferir na evolução.

Em algumas situações, a manutenção do peso pode representar uma etapa importante do tratamento.

Em outras, a ausência de resposta pode indicar necessidade de modificar a estratégia terapêutica.

O acompanhamento permite diferenciar essas situações e tomar decisões de maneira individualizada.

Por que a continuidade é importante no tratamento da obesidade?

A obesidade é uma doença crônica. O acompanhamento não deve depender exclusivamente da perda de peso nas primeiras semanas.

Ao longo do tratamento, podem ocorrer mudanças na fome, na rotina, nas condições clínicas e nos objetivos da paciente.

O acompanhamento médico permite reconhecer essas mudanças, reavaliar as intervenções e tomar decisões compartilhadas.

Também ajuda a planejar a manutenção dos resultados e a reduzir o risco de reganho de peso.

O objetivo é construir estratégias que possam ser sustentadas e adaptadas ao longo do tempo.

Perguntas frequentes

Não consegui seguir o tratamento. Preciso começar novamente?

Não necessariamente. Durante o retorno, avaliamos o que aconteceu, o que funcionou e quais estratégias precisam ser ajustadas.

Preciso emagrecer em todas as consultas?

Não. A evolução deve ser avaliada considerando o tempo de tratamento, as condições clínicas, os objetivos estabelecidos e outros indicadores de saúde.

Meu medicamento será aumentado se eu não emagrecer?

Não automaticamente. A decisão depende da resposta clínica, da tolerabilidade, da dose utilizada e de outros fatores individuais.

O que acontece com meu PTS durante os retornos?

Seu Projeto Terapêutico Singular é revisto e atualizado a cada encontro, conforme sua evolução e suas necessidades.

Preciso contratar um plano para continuar o tratamento?

Não. Após a avaliação inicial, você pode optar por consultas avulsas de retorno ou pelos planos de acompanhamento disponíveis. A contratação de um plano não é obrigatória.

Acompanhamento médico para obesidade em Campinas e on-line

Sou Dra. Camila Ayer, médica de Família e Comunidade, com atuação no tratamento da obesidade, sobrepeso e saúde metabólica.

Utilizo o Método 5P para construir tratamentos individualizados que consideram sua história, suas condições clínicas e sua realidade.

Durante os retornos, avaliamos os resultados, identificamos dificuldades e atualizamos seu Projeto Terapêutico Singular.

O retorno não é uma prova para saber se você fez tudo certo. É parte do tratamento.

Ciência. Estratégia. Continuidade.

Dra. Camila Ayer | Método 5P

Médica de Família e Comunidade
CRM-SP 130787 | RQE 153900

Atendimento presencial em Campinas e on-line para todo o Brasil.



Referências

  1. Organização Mundial da Saúde (OMS). Obesity and overweight. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight

  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Overweight and obesity management. NG246. https://www.nice.org.uk/guidance/ng246

  3. Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO). Diretrizes e posicionamentos. https://abeso.org.br/diretrizes/