Existe uma pergunta que faço nas consultas de obesidade e que algumas pessoas não esperam ouvir de um médico:

“Quanto você pode investir no tratamento?”

Pode parecer uma pergunta estranha, mas dinheiro também interfere na possibilidade de manter um tratamento.

Não adianta montar uma estratégia excelente no papel se ela custa mais do que aquela pessoa consegue sustentar por meses ou anos.

Obesidade é uma doença crônica. Portanto, sustentabilidade financeira também precisa entrar na decisão terapêutica.

Resposta rápida: não existe um custo único para tratar obesidade. O tratamento pode envolver consultas, alimentação, atividade física, exames, medicamentos e, em situações específicas, cirurgia. Nem todas as pessoas precisam de todas essas intervenções. A estratégia deve considerar indicação clínica, objetivos e também o que é financeiramente sustentável para cada paciente.

Tratamento da obesidade é caro?

Pode ser, mas não necessariamente.

O custo depende de quais intervenções aquela pessoa realmente necessita.

Há pacientes que terão indicação de tratamento medicamentoso. Outros podem iniciar ou manter acompanhamento sem medicamentos. Algumas pessoas precisarão de exames ou acompanhamento de outros profissionais. Em situações específicas, a cirurgia bariátrica pode fazer parte do tratamento.

O problema aparece quando imaginamos que existe um único pacote obrigatório para tratar obesidade.

Não existe.

Individualizar o tratamento também significa considerar quais recursos estão disponíveis para aquela pessoa.

Por que o médico deveria perguntar quanto o paciente pode gastar?

Porque prescrever algo que o paciente não consegue comprar não resolve o problema.

Pior: quando dinheiro não é discutido abertamente, algumas pessoas simplesmente interrompem o tratamento e ficam constrangidas em contar o motivo.

Isso pode ser interpretado como “falta de adesão”, quando o problema real era muito mais simples: a estratégia não cabia no orçamento.

Conversar sobre custo permite discutir alternativas, prioridades e aquilo que realmente precisa ser feito naquele momento.

Limitação financeira não transforma ninguém em um “paciente ruim”.

É uma informação relevante para o planejamento terapêutico.

É possível tratar obesidade sem medicamentos?

Sim.

Nem toda pessoa com obesidade necessariamente terá indicação de tratamento farmacológico.

Alimentação, atividade física, sono, saúde metabólica e outras condições clínicas continuam fazendo parte do cuidado, independentemente do uso de medicamentos.

Mas isso também não significa defender que todos deveriam conseguir tratar obesidade “sem remédio”.

Quando existe indicação clínica, medicamentos podem ser ferramentas importantes.

A questão correta não é:

“Remédio é necessário ou desnecessário?”

É:

“Qual estratégia é indicada para esta pessoa e qual delas conseguimos sustentar?”

Preciso usar Mounjaro, Wegovy ou outro GLP-1 para tratar obesidade?

Não necessariamente.

A popularização de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 e de outras terapias incretínicas criou, em algumas pessoas, a impressão de que tratamento moderno da obesidade é sinônimo de usar uma “caneta”.

Não é.

Esses medicamentos podem produzir perdas de peso importantes e têm indicações clínicas específicas. Mas tratamento da obesidade é maior do que qualquer medicamento isolado.

A decisão sobre farmacoterapia deve considerar indicação, contraindicações, benefícios esperados, efeitos adversos, preferências do paciente e também a possibilidade de continuidade.

O custo importa especialmente em uma doença crônica: iniciar uma estratégia sem discutir se existe possibilidade real de mantê-la pode criar um problema alguns meses depois.

O medicamento mais caro é necessariamente o melhor?

Não.

“Melhor medicamento” não existe fora do contexto de uma pessoa específica.

Eficácia é importante, mas não é o único critério.

Segurança, contraindicações, condições associadas, efeitos adversos, objetivos terapêuticos, disponibilidade e custo também entram na decisão.

Um medicamento excelente do ponto de vista farmacológico pode ser uma escolha ruim para determinada pessoa se ela não puder mantê-lo.

Da mesma forma, escolher simplesmente a opção mais barata sem considerar eficácia e segurança também não é individualizar o tratamento.

É preciso equilibrar essas variáveis.

Posso começar o tratamento mesmo sem dinheiro para uma caneta?

Sim.

A avaliação da obesidade não deveria começar pela escolha de uma caneta.

Ela deveria começar por entender qual é o problema daquela pessoa e o que precisa ser tratado.

História de peso, padrão alimentar, atividade física, sono, medicamentos em uso, doenças associadas, saúde metabólica, tentativas anteriores e complicações da obesidade podem modificar completamente a estratégia.

A partir daí, é possível discutir prioridades.

Em alguns pacientes haverá indicação de farmacoterapia. Em outros, não. E, quando houver indicação, custo e possibilidade de continuidade também precisam fazer parte da conversa.

Tratamento mais barato significa tratamento pior?

Não necessariamente.

Tratamento individualizado não significa utilizar todas as ferramentas disponíveis.

Significa utilizar as ferramentas que fazem sentido para aquela pessoa.

Às vezes, uma intervenção simples e sustentável pode ser mais útil do que uma estratégia sofisticada que será abandonada rapidamente.

Por outro lado, também seria inadequado escolher sempre a opção mais barata quando existe indicação de outro tratamento e o paciente tem possibilidade de realizá-lo.

A questão não é economizar a qualquer custo.

É buscar efetividade, segurança e sustentabilidade.

Como o Método 5P ajuda a individualizar o tratamento e os custos

No meu acompanhamento, utilizo o Método 5P — Prato, Passos, Pausa, Perfil Metabólico e Prescrição para organizar o tratamento.

Essa estrutura também ajuda a evitar a ideia de que tratar obesidade significa obrigatoriamente comprar determinado medicamento.

Prato

Avalio alimentação dentro da rotina e das possibilidades reais da pessoa.

Comer melhor não precisa significar comprar alimentos especiais, produtos “fitness” ou suplementos caros.

O objetivo é construir uma alimentação possível de manter.

Passos

Movimento e exercício também precisam caber na realidade.

Academia pode ser uma opção, mas não é a única forma de aumentar atividade física ou desenvolver capacidade física.

O planejamento depende das condições clínicas, preferências, rotina e recursos disponíveis.

Pausa

Sono, estresse e recuperação fazem parte da avaliação.

Nem todo componente importante do tratamento vem dentro de uma caixa ou exige uma compra.

Perfil Metabólico

Aqui avaliamos história clínica, histórico de peso, condições associadas, medicamentos em uso e exames quando indicados.

Isso também ajuda a evitar gastos desnecessários.

Investigar não significa pedir todos os exames possíveis.

Significa solicitar aquilo que tem indicação e que pode modificar a condução clínica.

Prescrição

Quando existe indicação de medicamento, entram na decisão eficácia, segurança, contraindicações, objetivos e também custo.

A pergunta não deveria ser apenas:

“Qual é o medicamento mais potente?”

Também precisamos perguntar:

“Essa estratégia é adequada e sustentável para esta pessoa?”

O Método 5P não é um pacote fechado nem um protocolo igual para todos. É uma estrutura para organizar um cuidado individualizado.

Telemedicina pode reduzir o custo do tratamento da obesidade?

Para algumas pessoas, pode reduzir custos indiretos.

A consulta on-line não significa necessariamente que o tratamento médico seja mais barato. Porém, pode evitar gastos e tempo relacionados a deslocamento, estacionamento ou ausência do trabalho, por exemplo.

Para quem mora longe do consultório ou tem uma rotina muito apertada, isso pode facilitar a continuidade do acompanhamento.

Por outro lado, algumas pessoas preferem ou necessitam de atendimento presencial.

Novamente, não existe uma modalidade ideal para todos.

E se eu não puder manter o tratamento que comecei?

Fale sobre isso com o médico responsável.

Não espere o medicamento acabar ou simplesmente desapareça do acompanhamento por vergonha.

Mudanças financeiras acontecem.

Dependendo da situação, pode ser possível rever prioridades, discutir outras estratégias ou reorganizar o plano terapêutico.

Custo não deveria ser um assunto proibido dentro da consulta.

Especialmente quando estamos falando de uma doença que pode exigir cuidado de longo prazo.

Tratamento sustentável também é tratamento individualizado

Quando falamos em individualização, geralmente pensamos em genética, exames, alimentação, doenças associadas ou resposta aos medicamentos.

Mas existe uma variável extremamente concreta:

a vida que aquela pessoa realmente tem.

Isso inclui rotina, trabalho, família, acesso aos recursos e dinheiro.

Um plano pode ser cientificamente adequado e, ao mesmo tempo, inviável para determinado paciente.

Reconhecer isso não significa oferecer um tratamento inferior.

Significa construir a melhor estratégia possível dentro daquela realidade e reavaliá-la quando necessário.

Tratamento da obesidade em Campinas, São Paulo e por telemedicina

Sou Dra. Camila Ayer, médica de Família e Comunidade, e trabalho com tratamento médico da obesidade e do sobrepeso utilizando uma abordagem integral organizada pelo Método 5P: Prato, Passos, Pausa, Perfil Metabólico e Prescrição.

Durante o acompanhamento, considero não apenas peso, alimentação e exames, mas também rotina, tratamentos anteriores, condições de saúde, preferências e a possibilidade real de manter a estratégia proposta.

A realidade financeira também pode ser discutida durante a consulta.

O objetivo não é montar o tratamento ideal no papel. É construir um tratamento clinicamente adequado que possa existir na vida real.

Realizo atendimento presencial em Campinas e São Paulo, além de telemedicina para pacientes em todo o Brasil.

Ciência sem terrorismo. Sem milagres.

Dra. Camila Ayer
Médica de Família e Comunidade
CRM-SP 130787 | RQE 153900