Quando se fala em tratamento da obesidade, muita gente imagina que o objetivo é chegar ao chamado “peso ideal”, atingir um IMC considerado normal ou simplesmente “ficar magro”.

Mas esse não é um bom critério para definir sucesso terapêutico.

Uma pessoa pode continuar com IMC na faixa de obesidade e, ainda assim, ter respondido muito bem ao tratamento.

Isso acontece porque tratar obesidade não significa perseguir determinado tipo de corpo. O peso importa, mas não é o único desfecho que importa.

É preciso ficar magro para tratar a obesidade?

Não.

O tratamento da obesidade busca melhorar a saúde, reduzir riscos e complicações relacionadas à doença e alcançar resultados que possam ser sustentados ao longo do tempo.

Isso é diferente de perseguir um padrão estético ou um determinado número na balança.

Uma pessoa não precisa necessariamente chegar a um IMC considerado “normal” para apresentar benefícios importantes para a saúde.

Perder 5% do peso faz diferença?

Pode fazer — e 5% pode parecer pouco quando olhamos apenas para a balança.

Na prática, perdas relativamente modestas de peso já podem estar associadas a benefícios clínicos. E, conforme a magnitude da perda aumenta, outros benefícios podem aparecer.

Por isso, 5%, 10%, 15% ou mais de perda de peso podem representar benefícios diferentes, dependendo do perfil da pessoa e das complicações relacionadas à obesidade.

Não existe uma única porcentagem que represente sucesso para todos.

Um exemplo simples

Imagine uma pessoa que pesa 100 kg.

Uma perda de 5% corresponde a 5 kg. Ela passa de 100 para 95 kg e pode continuar com IMC classificado como obesidade.

Agora imagine que, nesse processo, sua pressão arterial melhore, a glicemia diminua, sua capacidade física aumente e ela passe a dormir melhor.

Faria sentido dizer que o tratamento não funcionou simplesmente porque essa pessoa ainda não está “magra”?

Não.

É justamente por isso que avaliar o tratamento da obesidade exclusivamente pela aparência ou pelo número da balança pode produzir uma percepção equivocada de sucesso ou fracasso.

Quanto uma pessoa com obesidade deveria emagrecer?

Não existe uma meta universal.

A quantidade de perda de peso desejável depende de diversos fatores, como:

  • grau e duração da obesidade;
  • presença de complicações;
  • condições clínicas associadas;
  • histórico de peso e tratamentos anteriores;
  • medicamentos em uso;
  • estratégia terapêutica escolhida;
  • resposta individual ao tratamento;
  • tolerabilidade;
  • objetivos clínicos de cada pessoa.

Em algumas situações, uma perda relativamente menor pode produzir benefícios importantes. Em outras, perdas maiores podem ser necessárias para obter melhora mais significativa de determinadas complicações.

Por isso, uma pergunta mais útil do que simplesmente:

“Quantos quilos eu preciso perder?”

é:

“O que precisamos melhorar com essa perda de peso?”

Como saber se o tratamento da obesidade está funcionando?

A balança faz parte da avaliação. Mas não deveria ser a única medida.

Dependendo da situação clínica, podemos observar mudanças em:

  • peso e composição corporal;
  • circunferência abdominal;
  • pressão arterial;
  • glicemia e controle metabólico;
  • perfil lipídico;
  • sono;
  • mobilidade;
  • capacidade física;
  • qualidade de vida;
  • evolução das doenças e complicações relacionadas à obesidade.

Os indicadores mais importantes não serão necessariamente os mesmos para todas as pessoas.

É justamente por isso que o tratamento precisa ser individualizado.

Posso continuar tendo obesidade mesmo depois de emagrecer?

Sim.

Uma pessoa pode apresentar uma perda de peso clinicamente relevante e continuar, pela classificação do IMC, na faixa de obesidade.

Isso não significa que o tratamento falhou.

Imagine, por exemplo, alguém que começa o tratamento com IMC de 40 kg/m² e apresenta uma perda importante de peso, além de melhora metabólica e funcional.

Essa pessoa pode continuar classificada como tendo obesidade pelo IMC e, ao mesmo tempo, ter apresentado uma excelente resposta terapêutica.

Resposta ao tratamento e classificação pelo IMC não são a mesma coisa.

O IMC ainda importa?

Sim.

O IMC continua sendo uma ferramenta útil, inclusive na avaliação clínica da obesidade. Mas precisa ser interpretado dentro de um contexto mais amplo.

Isoladamente, ele não consegue demonstrar toda a condição de saúde de uma pessoa nem todas as mudanças produzidas pelo tratamento.

Na consulta, pode ser necessário analisar o IMC em conjunto com história clínica, distribuição de gordura corporal, composição corporal quando pertinente, exames laboratoriais, doenças associadas, capacidade funcional e outros indicadores.

O problema não é utilizar o IMC.

O problema é transformá-lo no único critério para definir sucesso ou fracasso do tratamento.

Tratar obesidade não é perseguir um tipo de corpo

Existe uma diferença importante entre tratar uma doença e perseguir um padrão estético.

No tratamento médico da obesidade, a perda de peso é relevante porque pode contribuir para melhorar a saúde e reduzir complicações.

Mas isso não significa que todas as pessoas precisem chegar ao mesmo peso ou ao mesmo tipo de corpo.

Além disso, obesidade é uma condição complexa e seu tratamento pode envolver diferentes estratégias ao longo do tempo.

Alimentação, atividade física, sono, saúde metabólica, contexto de vida, condições associadas e, quando existe indicação clínica, medicamentos ou cirurgia podem fazer parte desse cuidado.

É dentro dessa lógica que organizo meu acompanhamento pelo Método 5P.

Como funciona o Método 5P no tratamento da obesidade?

O Método 5P é a estrutura que utilizo para organizar diferentes aspectos do tratamento da obesidade.

Ele não é uma dieta ou um protocolo pronto.

A proposta é avaliar cinco áreas que podem influenciar a saúde, o peso e a resposta ao tratamento, identificando o que precisa de maior atenção em cada pessoa.

1. Prato

O que e como você come.

A alimentação precisa ser avaliada dentro da rotina real da pessoa.

Isso inclui hábitos alimentares, organização das refeições, saciedade, dificuldades do dia a dia e estratégias que possam ser sustentadas no longo prazo.

A proposta não é simplesmente entregar uma dieta restritiva.

2. Passos

Movimento e atividade física dentro da realidade de cada pessoa.

Atividade física tem benefícios que vão muito além das calorias gastas.

Capacidade cardiovascular, força, mobilidade, preservação de massa muscular, autonomia e qualidade de vida também fazem parte do tratamento.

E a melhor estratégia não é necessariamente o exercício que “queima mais calorias”, mas aquele que pode ser incorporado e mantido.

3. Pausa

Sono, recuperação e estresse também importam.

Sono insuficiente, rotina exaustiva e estresse podem interferir na fome, na alimentação, na disposição para atividade física e na capacidade de sustentar mudanças.

Por isso, tratar obesidade olhando apenas para alimentação e exercício pode deixar de fora uma parte importante da história.

4. Perfil Metabólico

Cada pessoa chega ao tratamento com uma história diferente.

Aqui entram avaliação clínica, histórico de peso, exames quando indicados, condições associadas, medicamentos em uso, risco cardiovascular e complicações relacionadas à obesidade.

O objetivo é entender quem é aquela pessoa antes de decidir como tratá-la.

5. Prescrição

Quando existe indicação, medicamentos podem fazer parte do tratamento.

A medicação não substitui todos os outros pilares e também não deve ser tratada como milagre.

Ela é uma ferramenta terapêutica.

A escolha de utilizar ou não um medicamento, qual medicamento utilizar e por quanto tempo depende da avaliação médica individual.

Por que olhar para os 5P muda a avaliação do resultado?

Porque o resultado deixa de ser resumido a:

“Quantos quilos você perdeu?”

e passa a incluir outras perguntas.

Como está sua pressão arterial?

Como está sua glicemia?

Você está dormindo melhor?

Sua capacidade física melhorou?

Consegue se movimentar com mais facilidade?

Houve melhora das complicações relacionadas à obesidade?

A estratégia alimentar é sustentável?

O tratamento está funcionando na sua vida real?

O peso continua sendo acompanhado.

Mas ele passa a ser interpretado como parte de um quadro clínico maior.

Medicamento para obesidade é necessário para todo mundo?

Não.

Nem toda pessoa com obesidade precisa utilizar medicamento.

Quando existe indicação clínica, entretanto, a farmacoterapia pode fazer parte do tratamento, assim como acontece em outras doenças crônicas.

A decisão deve considerar o quadro clínico, os riscos, as possíveis complicações, tratamentos anteriores, contraindicações, benefícios esperados e preferências do paciente.

Também é importante entender que a resposta aos medicamentos varia entre as pessoas.

Por isso, prescrição sem acompanhamento adequado não substitui tratamento médico longitudinal.

E a cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica também é uma ferramenta terapêutica importante para pacientes adequadamente selecionados.

Assim como acontece com medicamentos, ela não deve ser entendida como uma solução isolada ou como o “fim” do tratamento.

O acompanhamento continua sendo importante depois da cirurgia, inclusive para avaliação nutricional, metabólica e clínica e para acompanhamento da evolução do peso e das condições associadas.

Obesidade é uma doença crônica: e a manutenção do peso?

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

O tratamento não termina necessariamente quando a pessoa atinge determinado peso.

Depois da perda de peso, manter o resultado também faz parte do tratamento.

O organismo pode apresentar adaptações que favorecem a recuperação do peso perdido, e fatores ambientais, comportamentais e clínicos continuam existindo.

Por isso, acompanhamento, manutenção e eventuais ajustes da estratégia terapêutica podem ser necessários ao longo do tempo.

Recuperar peso também não deve ser automaticamente interpretado como falta de disciplina.

Pode ser um sinal de que o tratamento precisa ser reavaliado.

Tratamento da obesidade em Campinas, São Paulo e por telemedicina

Sou Dra. Camila Ayer, médica de Família e Comunidade, e trabalho com tratamento médico da obesidade e do sobrepeso utilizando uma abordagem integral organizada pelo Método 5P: Prato, Passos, Pausa, Perfil Metabólico e Prescrição.

Na consulta, não avalio apenas quanto uma pessoa pesa ou quantos quilos gostaria de perder.

Procuro entender sua história de peso, tentativas anteriores de tratamento, alimentação, atividade física, sono, rotina, condições clínicas, medicamentos em uso, saúde metabólica e possíveis complicações relacionadas à obesidade.

A partir dessa avaliação, definimos objetivos terapêuticos e acompanhamos não apenas a mudança do peso, mas o que essa mudança representa para a saúde daquela pessoa.

Realizo atendimento presencial em Campinas e São Paulo, além de consulta on-line por telemedicina para pacientes em todo o Brasil.

Ciência sem terrorismo. Sem milagres.

Dra. Camila Ayer
Médica de Família e Comunidade
CRM-SP 130787 | RQE 153900