“Com medicação é fácil emagrecer.”

Essa frase costuma ser usada como crítica às pessoas que utilizam medicamentos para tratar obesidade.

Mas existe um problema nesse raciocínio: um tratamento eficaz deve justamente tornar mais manejáveis alguns dos mecanismos da doença que dificultam a perda de peso.

Se uma pessoa apresenta menos fome, maior saciedade e consegue organizar melhor sua alimentação durante o tratamento, isso não significa que esteja “trapaceando”.

Significa que existe uma intervenção terapêutica atuando.

Por que emagrecer pode ser tão difícil para quem vive com obesidade?

A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. Seu desenvolvimento não depende apenas de quanto uma pessoa decide comer ou se exercitar.

Genética, ambiente, sono, condições socioeconômicas, medicamentos, comportamento alimentar e mecanismos neuroendócrinos envolvidos na regulação do peso podem participar desse processo.

Além disso, quando ocorre perda de peso, o organismo pode desenvolver respostas adaptativas que favorecem o aumento da fome e dificultam a manutenção do peso perdido.

É uma das razões pelas quais simplesmente dizer “coma menos e se exercite mais” é uma abordagem insuficiente para muitas pessoas.

O que os medicamentos para obesidade fazem?

Existem diferentes medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade, com mecanismos de ação distintos.

Algumas terapias atuais atuam em vias relacionadas à fome, saciedade e regulação da ingestão alimentar.

Na prática, algumas pessoas relatam algo que antes parecia extremamente difícil: conseguem terminar uma refeição satisfeitas, pensar menos em comida ou recusar determinado alimento sem precisar travar uma batalha mental.

Isso pode tornar o déficit energético necessário para a perda de peso mais tolerável e sustentável.

E esse efeito não diminui o mérito do tratamento.

É o tratamento funcionando.

“Mas então a medicação faz tudo?”

Não.

E esse é o outro extremo que precisamos evitar.

Medicamentos para obesidade não substituem uma avaliação clínica adequada e não tornam irrelevantes alimentação, atividade física, sono, saúde mental, condições metabólicas e contexto social.

Também não são indicados para todas as pessoas.

A decisão de utilizar uma medicação deve considerar diagnóstico, benefícios esperados, contraindicações, possíveis efeitos adversos, outras doenças, medicamentos em uso e objetivos do paciente.

É exatamente por isso que tratamento da obesidade não deveria ser sinônimo de simplesmente prescrever uma caneta.

Tratamento não precisa ser sofrimento

Existe uma ideia cultural bastante arraigada de que emagrecer “do jeito certo” precisa ser difícil.

Quanto mais fome, restrição e esforço, maior seria o mérito.

Do ponto de vista médico, isso não faz sentido.

Não avaliamos um tratamento para hipertensão pela quantidade de sofrimento necessária para reduzir a pressão arterial.

Também não deveríamos avaliar o tratamento da obesidade dessa maneira.

Se conseguimos reduzir parte da pressão biológica que favorece a ingestão alimentar e dificulta a perda de peso, facilitar o processo é uma vantagem terapêutica, não uma falha moral.

Como funciona uma avaliação para tratamento da obesidade?

Como Médica de Família e Comunidade com atuação no cuidado de pessoas com obesidade, procuro avaliar o problema de maneira mais ampla.

Não olho apenas para o número da balança.

História do peso, tentativas anteriores de emagrecimento, padrão alimentar, atividade física, sono, saúde emocional, doenças associadas, medicamentos em uso e contexto de vida ajudam a definir qual estratégia faz sentido para aquela pessoa.

A medicação pode fazer parte desse plano quando existe indicação.

Mas ela é uma ferramenta dentro do tratamento, e não o tratamento inteiro.

Tratamento da obesidade em Campinas, São Paulo e on-line

Se você procura tratamento da obesidade em Campinas, atendimento médico em São Paulo ou acompanhamento on-line, uma avaliação individual pode ajudar a entender quais fatores estão dificultando seu controle de peso e quais estratégias são adequadas para o seu caso.

O objetivo não é tornar o emagrecimento mais sofrido para provar que você consegue.

É encontrar um tratamento que seja clinicamente adequado, seguro e sustentável.

Dra. Camila Ayer
Médica de Família e Comunidade
CRM-SP 130787 | RQE 153900

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